domingo, 23 de agosto de 2009

Time may change me... but I can't trace time

Eu nem sei por onde começar. Pelas mudanças, talvez? Nesse tempo todo – longo, longo tempo – mudei de cidade, mudei de vida, mudei de casa (algumas vezes, na verdade), mudei de hábitos, mudei de ares. Mudei de amigos, de amores, de crises, de personalidades. Refiz o que podia do que me sobrou dos cacos, recolei tudo para depois quebrá-los de novo. E novamente buscar aquele tubinho de cola que escondo embaixo do travesseiro. Um ciclo vicioso, para ser bem clara. Mudei de computador, desaprendi e reaprendo a usar essas coisas. Eu nunca fui boa para tecnologia. Esse ponto eu não mudei em nada, continuo sendo uma velha old-fashioned. Mudei de classe social, de posição política (mentira!!), de ideologias. As últimas poucas que tinha foram morrendo, mas as que sobraram ficaram mais fortes. Mudei de perspectiva. Cortei os cabelos, comprei roupas novas, levei pés na bunda, perdi empregos, comprei discos. Perdi meu passaporte, minha dignidade, minha fé e um pouco da minha sanidade. Vi gente entrar e sair da minha vida sem pedir licença. Vi outras insistindo em existir lá no fundo da minha mente. Menti, contei verdades absurdas. Quis recomeçar tudo do zero e quis jogar tudo para o alto. Não fiz nada. Dormi, acordei. Emagreci, engordei. Tentei ver o mundo ao meu redor e percebi que tudo acabava no meu umbigo. Apostei alto e perdi oportunidades. Vendo bem, não mudei quase nada.

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