quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Sobre as (in)certezas da vida

Passei uma semana em Buenos Aires, de férias (coisa que eu nem sabia mais o que era, porque as últimas férias fiquei aqui pintando a casa). Voltei um lixo. Foi uma semana foda, diga-se de passagem. Diversão como há muito tempo eu não tinha na vida. Conheci pessoas incríveis, fui em festas podres, andei que nem uma louca, bebi mais que deveria, mas tudo valeu a pena. A cidade é linda e tudo, mas os pontos turísticos basicamente vão ficar para uma próxima vez. Fiquei a maior parte do tempo enfiada no albergue ou em clubes bagaceiras, cercada de pessoas loucas. Estou um caco, ainda. Óbvio que tive meus momentos clássicos: paixões e despaixões repentinas, crisezinhas de auto-estima rastajante, aperto no coração, nostagia do que eu não vivi, etc, etc. Mas, voltando pra casa, no avião, fiquei pensando em um monte de coisa que no fim das contas essa semana me ensinou.

É engraçado ver como as pessoas são diferentes. Como as culturas são diferentes, mas no fim com a mesma perspectiva. Conheci pessoas que vão viajar por um, dois anos. Outras que estavam ali mas não sabiam exatamente ao certo para onde iam depois. Outras que deram um tempo no trabalho e pretendiam voltar para casa em breve. Outras que nem casa tinham no momento. Outras que pensavam em começar uma vida nova. Eu estava apenas tirando uns dias longe da vidinha medíocre que levo, e que a tanto custo insiti em ter. É engraçado como a gente se apega às coisas pequenas. Como de repente ter um emprego, uma casa, móveis, etc, ganham uma importância gigantesca. E a vida não deveria ser feita disso. Invejei um monte de gente ali. Por causa do desprendimento deles com relação a esses assuntos de família-emprego-bens materiais-carro do ano- bolsas de grife- celulite- planos pro futuro. E nem falo de pessoas vagabundas, com aquele ar meio hippie de que foda-se o sistema, eu quero é andar pelo mundo. Não. Eram advogados, analistas de sistema, estudantes, etc. Pessoas como eu, de uma certa forma. Mas por outro lado, eles tinham esse desprendimento que tanto me falta. Eu não consigo mais me ver largando tudo e saindo por aí, em busca de aventuras. Bem que eu gostaria de fazer isso, juro que gostaria. Mas olho ao redor da minha casa e penso que não conseguiria mais viver longe disso tudo aqui. Cada pedacinho dessa casa mal montada é parte minha e me custou muitas noites de sono. Então não sei mesmo.

Essa viagem mexeu comigo. Me fez lembrar de certo modo de Into the Wild. A felicidade só é completa se partilhada. Me fez lembrar de quem eu sou, quem eu era e quem eu pretendia ser. E me fez aprender que de nada adianta ser aquilo que não se é, apenas se quer ser. Não adianta me esconder atrás de algo que eu não sou, pois sempre tem alguém que descobre a verdade. Na maioria das vezes, essa pessoa sou eu mesma. Amanhã volto ao trabalho. Segunda-feira a vida volta plenamente ao normal. Trabalho, academia, contas a pegar, roupas a lavar. E o verão que atropela a primavera e quer chegar mais cedo em São Paulo.

2 comentários:

  1. Parece que alguém teve o mesmo sentimento despertado que eu tenho....haha....penso exatamente a mesma coisa todos os dias, todos os meses e todos os anos.

    Bjos

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  2. Te quiero mucho!

    Baby tu es uma mujer muy corajosa!
    Tu já ate desprendeu o suficiente para ter uma nova vida por aí...
    Me gusta tu cuerpo!

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